Curiosidades






A maior velocidade de Internet testada pela NTT, uma Banda Ultra Larga a 70 Terabits/segundo


Engenheiros da companhia japonesa NTT lograram transmitir até 69,1 Terabits por segundo através de uma única fibra óptica de 240 km de longitude.
Os 70.000.000 Megabits por segundo foram transmitidos com a multiplexação de 432 sinais portadores, cada um usando uma longitude de onda de luz diferentes (entre os 1527 e os 1620 nm), de 171 Gigabit por segundo.

Isto é um novo recorde conseguido em uma única fibra óptica, recorde que estava em “apenas” 32 Terabits por segundo.
A empresa NTT Labs já tinha conseguido transmitir 13,5 Tbps em uma fibra de 7 km de longitude, agora já estão pensando em usar a tecnologia para ampliar as redes do país e conseguir uma estrutura mais rápida e econômica.


A origem das notas musicais


Desde muito tempo, as diferentes civilizações não só vivenciam a experiência musical como também elaboram métodos e teorias capazes de padronizar um modo de se compor e pensar o universo musical. Na Grécia Antiga, já observamos formas de registro e concepção das peças musicais através de sistemas que empregavam as letras do alfabeto grego. Ao longo do tempo, várias foram as tentativas de sistematização interessadas em formular um modo de se representar e divulgar as peças musicais.

Na Idade Média, a questão da música foi assumindo uma importância muito grande entre os clérigos daquela época. Por um lado, essa importância deve ser entendida porque os monges tinham tempo e oportunidade de conhecer todo o saber musical oriundo da civilização clássica através das bibliotecas dos mosteiros. Por outro lado, também pode ser entendida porque o uso da música foi assumindo grande importância na realização das liturgias que povoavam as manifestações religiosas da própria instituição.

Foi nesse contexto que um monge beneditino francês chamado Guido de Arezzo, nascido nos fins do século X, organizou o sistema de notação musical conhecido até os dias de hoje. Nos seus estudos, acabou percebendo que a construção de uma escala musical simplificada poderia facilitar o aprendizado dos alunos e, ao mesmo tempo, diminuir os erros de interpretação de uma peça musical. Contudo, de que modo ele criaria essa tal escala?

Para resolver essa questão, o monge Guido aproveitou de um hino cantado em louvor a São João Batista. Em suas estrofes eram cantados os seguintes versos em latim: “Ut quant laxis / Resonare fibris / Mira gestorum / Famuli tuorum / Solve polluti / Labii reatum / Sancte Iohannes”. Traduzindo para nossa língua, a canção faz a seguinte homenagem ao santo católico: “Para que teus servos / Possam, das entranhas / Flautas ressoar / Teus feitos admiráveis / Absolve o pecado / Desses lábios impuros / Ó São João”. Mas qual a relação da música com as notas musicais hoje conhecidas?

Observando as iniciais de cada um dos versos dispostos na versão em latim, o monge criou a grande maioria das notas musicais. Inicialmente, as notas musicais ficaram convencionadas como “ut”, “ré”, “mi”, “fá”, “sol”, “lá” e “si”. O “si” foi obtido da junção das inicias de “Sancte Iohannes”, o homenageado da canção que inspirou Guido de Arezzo. Já o “dó” foi somente adotado no século XVII, quando uma revisão do sistema concebido originalmente acabou sendo convencionada.


Como Surgiu a Internet ?


Podemos dividir a história da humanidade em três importantes eras: agrícola, industrial e digital. Na era digital a sociedade tem recebido o nome de “sociedade da informação”, aquela cuja cultura e economia dependem essencialmente da tecnologia, da comunicação e da informação. Em tese, todos participam de alguma maneira da interação, compartilhando o conhecimento com base nas informações que possuem.

Através da convergência tecnológica, o processo de troca de comunicação é muito facilitado. Hoje podemos processar informações variadas em uma só forma: a forma digital. Diferentes aparelhos são multifuncionais, fazendo uso somente de um pequeno chip. Através de celulares, por exemplo, acessamos a Internet, ouvimos rádio e músicas em formato mp3, enviamos e-mails, fotos, vídeos e mensagens curtas de texto (SMS), entre tantas outras funções.

A era é nova e o nome que deram à sociedade atual é pomposo. Deve-se ter cuidado, porém, em não generalizar, tendo em vista a realidade brasileira que é marcada pela exclusão digital. Com a queda de preços e o crescimento da Internet a inclusão digital tem aos poucos acontecido, mas ainda a passos de tartaruga.

Observemos o que nos ensina Hugo Assmann, professor e Doutor em Teologia, com ênfase em Filosofia da Educação:

“A sociedade da informação é a sociedade que está sempre a constituir se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de armazenamento e transmissão de dados e informação de baixo custo. Esta generalização da utilização da informação e dos dados é acompanhada por inovações organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que alterarão profundamente o modo de vida tanto no mundo do trabalho como na sociedade em geral.

No futuro, poderão existir modelos diferentes de sociedade da informação, tal como hoje existem diferentes modelos de sociedades industrializadas. Esses modelos podem divergir na medida em que evitam a exclusão social e criam novas oportunidades para os desfavorecidos. A importância da dimensão social caracteriza o modelo europeu. Este modelo deverá também estar imbuído de uma forte ética de solidariedade.

A mera disponibilização crescente da informação não basta para caracterizar uma sociedade da informação. O mais importante é o desencadeamento de um vasto e continuado processo de aprendizagem.”

Neste contexto, podemos falar da Internet. A Internet surgiu nos anos 60, na época da Guerra Fria, nos Estados Unidos. O Departamento de Defesa americano pretendia criar uma rede de comunicação de computadores em pontos estratégicos. A intenção era descentralizar informações valiosas de forma que não fossem destruídas por bombardeios se estivessem localizadas em um único servidor.

Assim, a ARPA (Advanced Research Projects Agency), uma das subdivisões do Departamento, criou uma rede conhecida por ARPANET, ligada por um backbone (“espinha dorsal”, isto é, estruturas de rede capazes de manipular grandes volumes de informações) que passava por debaixo da terra, o que dificultava sua destruição. O acesso à ARPANET era restrito a militares e pesquisadores, demorou chegar ao público em geral, pois temiam o mau uso da tecnologia por civis e países não-aliados.

No Brasil, a conexão de computadores por uma rede somente era possível para fins estatais. Em 1991, a comunidade acadêmica brasileira conseguiu, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, acesso a redes de pesquisas internacionais.

Em maio de 1995, a rede foi aberta para fins comerciais, ficando a cargo da iniciativa privada a exploração dos serviços. Hoje, para conectar seu computador, o usuário paga os serviços de um provedor de acesso ou tem conexão direta.

O fenômeno Internet difere dos outros meios de comunicação conhecidos até agora, haja vista que a postura do receptor no rádio e na televisão é meramente passiva, enquanto em relação à Internet o receptor participa selecionando e emitindo informações.

Há várias maneiras de trocar e obter informações através da Internet, dentre as quais: World Wide Web (www), mecanismos de busca, e-mail (correio eletrônico), peer-to-peer, IRC (Internet Relay Chat), VoIP (voz sobre IP), listas de discussão, bate-papos e mensagens instantâneas. A própria rede, por sua vez, é acessada através de diversos meios, caracterizando o típico exemplo de convergência tecnológica, da facilitação no processo de troca de comunicação. A Internet está presente em computadores, celulares, palms, e diferentes aparelhos multifuncionais.

Voltemos ao tempo. Conseguimos nos imaginar sem esta maravilhosa invenção que hoje é uma oportunidade de atravessar fronteiras, derrubar barreiras e dividir idéias de forma única? Além de tudo, a internet aumenta a capacidade de leitura (também estimulando novas leituras), ajuda a encontrar informações, resolver problemas e, sem dúvida, a adquirir competências cada vez mais exigidas no mercado de trabalho. Fica no ar a pergunta, cuja resposta soa um tanto óbvia para a maior parte dos usuários desta ferramenta incomparável.


Como se forma o ovo ?


Tudo começa pela gema, que nada mais é que um grande óvulo da galinha. E põe grande nisso! Com cerca de 4 centímetros de diâmetro, o óvulo da galinha é o maior do reino animal. A gema é liberada do ovário e depois "viaja" por uma série de órgãos internos da penosa até chegar ao útero, local onde o processo de formação do ovo termina com a solidificação da casca. O tempo total para que ele fique pronto é de aproximadamente 24 horas. "Cerca de 30 minutos após botar o ovo, a galinha ovula uma nova gema que dará origem a todo o processo novamente", diz o médico-veterinário Ismar Araújo de Moraes, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O curioso é que, quando a galinha nasce, todos os óvulos que ela irá gerar ao longo da vida já estão armazenados no seu ovário, só que em tamanho microscópico. Apenas na idade adulta é que eles ficam prontos para ovulação. Em um ano, uma galinha põe cerca de 265 ovos, podendo manter essa produção durante os dois anos que tem de vida numa granja - se for um galinha criada na roça, a vida dela pode se prolongar por cerca de cinco ou seis anos. Essas dúzias todas só se transformam em pintinho quando a penosa acasala com um galo. "Os espermatozóides do galo são bastante resistentes e sobrevivem até 15 dias dentro da galinha. Nesse período, ela está fértil e os ovos serão sempre galados (podem originar pintinhos)", diz o veterinário. A gema de um ovo galado tem uma pequena mancha com um anel avermelhado, mas é difícil diferenciá-la a olho nu.

Bota-fora

Etapa mais longa é a fabricação da casca, que acontece no útero e leva cerca de 20 horasA formação do ovo tem início no ovário da galinha. É nesse órgão que se encontram os óvulos, que nada mais são que as gemas. Aqui, os óvulos amadurecem e incorporam grande quantidade de nutrientes, como sais minerais, proteínas e gorduras.

O ovo em formação segue então para o magno, uma espécie de canal. As espessas paredes do órgão liberam substâncias como proteínas, sódio, cálcio e magnésio, que completam a formação da clara, deixando-a bem espessa, diferente da que vemos num ovo cru.

Quando um óvulo (gema) é liberado, ele migra para uma estrutura do aparelho reprodutor chamada infundíbulo. Lá se forma a calaza, membrana espessa que protege a gema e que dará origem à clara. Também é no infundíbulo que os espermatozóides do galo fecundam o óvulo, caso a galinha tenha acasalado.

Ao deixar o magno, o ovo vai para o istmo, a última região do aparelho reprodutor antes do útero. É aí que a clara ganha água e fica fluida como a conhecemos. No istmo também se forma aquela película que envolve a parte interna da casca do ovo.

Dentro do útero, o ovo recebe uma massa viscosa, secretada pela mucosa do órgão. Tal massa é a base para a formação da casca e se solidifica após ser impregnada por cristais de carbono e cálcio. Essa é a etapa mais longa do processo, com o ovo ficando no útero por cerca de 20 horas.

Quando o ovo está pronto, segue para a vagina. Ele é expulso em poucos segundos pela cloaca da galinha, câmara onde desembocam, além da vagina, o reto e o ureter do animal. Para impedir que o ovo entre em contato com resíduos de fezes e urina presentes na cloaca, a vagina se projeta para fora no momento da postura.


Salvo pelo gongo


No mundo da competição esportiva observamos que diversas pessoas se preocupam em determinar as regras que organizam uma modalidade. Com isso, regras, punições, sistemas de pontuação, advertências e juízes aparecem como elementos fundamentais para fornecerem maior senso de justiça à situação competitiva. Entretanto, na condição de atividade humana, sabemos que muitas vezes as situações inesperadas e o improviso acabam extrapolando essa tentativa de controle.

Em certos momentos, principalmente quando um competidor escapa da derrota iminente, costumamos dizer que o mesmo foi “salvo pelo gongo”. Para muitos essa expressão seria emprestada das competições de boxe, onde o tocar do gongo muitas vezes evita um último golpe fatal. De fato, esse pessoal nem imagina que essa expressão tem a ver com as peculiares maneiras com que o homem tentou driblar a morte.

Ao longo dos séculos, a morte de um indivíduo era uma questão rodeada por algumas crenças e incertezas. Desde a Antiguidade, os surtos de catalepsia eram vistos como uma instigante doença. Afinal de contas, esse distúrbio tem a capacidade de deixar o indivíduo em completo estado de inapetência e imobilidade. Muitas vezes, a vítima desse tipo de patologia acaba sendo dada como morta e enterrada antes que possa recobrar os sentidos.

Muitas vezes, ao desenterrarem algumas ossadas percebia-se que a parte interna do caixão estava toda arranhada. Essa era uma clara e terrível evidência de que mais um cataléptico fora enterrado vivo. Visando resolver o problema, os britânicos passaram a amarrar uma corda ao pulso de seus defuntos. Essa corda sairia do túmulo até alcançar uma barulhenta sineta. Logo, se um pobre coitado fosse enterrado vivo, poderia ser literalmente “salvo pelo gongo”.


Enfiar o pé na jaca


Em momentos de alegria, principalmente em festas, deixamos a empolgação tomar conta e acabamos cometendo alguns excessos. No dia seguinte, ainda lamentando a ressaca da noite anterior, somos avisados ou concluímos por si só que enfiamos o pé na jaca. Dessa forma, aprendemos que qualquer tipo de exagero ou comportamento abusivo está associado a essa curiosa expressão.

Para alguns, a imagem de alguém literalmente enfiando o pé na jaca é suficiente para associar a estranha alegoria à situação de exagero. Contudo, esse é um erro de interpretação que nega as verdadeiras origens dessa expressão hoje tão comum. Na verdade, a fruta aqui em questão só apareceu por conta de mais um corriqueiro processo de mutação dos termos idiomáticos.

Nos idos do século XVII e XVIII, o transporte de cargas e mercadorias ganhou grande espaço com a economia mineradora. Naquela época, os tropeiros realizavam esse serviço de distribuição no lombo de mulas geralmente munidas de um grande par de jacás. O jacá era um grande cesto indígena (feito de cipó ou bambu) no qual esses viajantes carregavam suas valiosas mercadorias.

Em algumas situações, os tropeiros interrompiam ou terminavam as suas viagens em uma venda onde se entregavam ao prazer da bebida. Depois de tantos goles, era comum que esses tropeiros passassem por um grande constrangimento na hora de subir no lombo das mulas. Não raro, o pobre tropeiro embriagado acabava enfiando o “pé no jacá” na hora de seguir o seu destino.

De lá para cá, o desuso desse tipo de cesto acabou sendo paralelo à própria transformação do termo. Nessa história, a pobre jaca acabou tomando o lugar do utensílio indígena. Apesar da mudança, o exagero dos tropeiros do século XVIII e dos “baladeiros” modernos continuam a render boas histórias.


Céu de brigadeiro


Quando a sexta-feira chega, muitas pessoas esperam as notícias do tempo para o fim de semana. Dependendo das condições climáticas, programam um dia inteiro no clube, um belo passeio na praia ou alguma outra atividade ao ar livre. Quando o prognóstico é de céu limpo e dia ensolarado, vemos que algumas pessoas dizem que o dia terá um “céu de brigadeiro”. Mas afinal, será que um dia bonito com céu azul tem algo a ver com a saborosa guloseima de chocolate?

De fato, os prazeres de um brigadeiro e um dia com o céu limpo podem ser equiparados. Contudo, se engana quem faz esse tipo de relação gastronômica para explicar a origem de tal expressão popular. A sua origem se assenta em uma antiga prática existente entre os membros da Força Aeronáutica. Na hierarquia dessa instituição militar, o brigadeiro ocupa o mais importante posto de comando da Aeronáutica. Geralmente, em razão de sua importância, esse oficial só faz voos quando o céu apresenta condições favoráveis.

A popularização do “céu de brigadeiro” aconteceu na medida em que os locutores de rádio das décadas de 1940 e 1950 tomaram conhecimento de tal prática militar. Sendo um veículo de comunicação onde as palavras têm grande impacto, vários locutores acharam interessante dizer que o dia tinha um “céu de brigadeiro”. Inicialmente, a curiosa gíria ganhou fama no Rio de Janeiro que, na época, ostentava o posto de capital do país e concentrava grande parte dos voos aéreos realizados.

É interessante ver como alguns termos percorrem uma origem completamente distante daquilo que poderíamos um dia imaginar. Sem dúvida, a língua é uma ferramenta de comunicação que permite as mais amplas possibilidades de construções simbólicas. Se porventura alguém se decepcionou com a origem desse termo, recomendamos o consumo de um prato de brigadeiros em um dia ensolarado. É um belo consolo, não?!


Jurar de pés juntos


Em diversas situações do nosso dia a dia, somos forçados a utilizar de uma mentira ou omitir a verdade por questões de interesse próprio. Apesar de fazer parte do nosso cotidiano, sabemos que uma mentira pode ser crucial para que tenhamos a nossa credibilidade ameaçada junto a um terceiro. Muitas vezes, aqueles que não são muito dignos de crédito, acabam se valendo de súplicas diversas para serem levados a sério. Não raro, atestam o valor de suas palavras “jurando de pés juntos”.

Para nós, a origem dessa palavra nos parece incógnita. Afinal, qual a relação existente entre o fato de dizer a verdade e ficar com os pés juntos? Seria isso algum tipo de superstição antiga? Ou esse termo faria referência a uma posição que pode ser entendida como sinal de respeito e verdade? Nem uma coisa, nem outra! Para saber de onde vem esse tipo de juramento, devemos nos reportar aos tempos medievais, mais especificamente no período da Inquisição.

Durante a Baixa Idade Média, observamos que o desenvolvimento das heresias se constituía como uma séria ameaça à hegemonia dos dogmas pregados pela Igreja Católica. Afinal de contas, o aparecimento de outras compreensões de fé poderia abrir caminho para a fundação de novas religiões ou de outros movimentos que abalariam a imagem da Igreja como detentora do saber religioso. Foi daí que, no século XIII, foi criado o Tribunal do Santo Ofício, fundado para punir os crimes contra a fé católica.

Quando acusada de um crime religioso, a pessoa investigada passava pela prisão e tinha a sua casa toda revistada. Nesse tempo de reclusão, os membros da Igreja abriam espaço para que o investigado realizasse a confissão de seus mais graves pecados. Caso isso não acontecesse, os clérigos utilizavam de métodos de tortura que deveriam forçar o pobre cristão a admitir suas falhas. Foi daí que surgiu a expressão “jurar de pés juntos”.

Entre as várias torturas empregadas, os suspeitos tinham, muitas vezes, os pés e as mãos amarrados ou terrivelmente pregados em postes de madeira. Em muitas situações, o inconfesso era colocado de ponta cabeça, o que só aumentava o seu desconforto. Logo, não suportando as dores daquele tipo de agressão, acabavam confessando qualquer tipo de crime religioso. Eles literalmente acabavam “jurando de pés juntos” a prática dos delitos que os levaram àquele tormento.

Com o passar do tempo, a tortura inquisitória acabou se transformando em expressão popular na Península Ibérica, coincidentemente, uma das regiões mais atingidas pela Inquisição Católica. Em terras portuguesas, além do uso aqui exposto, os portugueses também empregam o seu antônimo dizendo “negar de pés juntos”. Já entre os vizinhos espanhóis presenciamos a variação “crer com os pés juntos”, que significa acreditar incondicionalmente em algo.


Arranca rabo


Muitas pessoas hoje dizem que a vida é uma luta diária pela sobrevivência. Além de enfrentar nossos próprios limites, ainda temos que encarar a ameaça imposta por terceiros. Seja no trabalho, na fila do banco, no trânsito ou no caixa do supermercado, é comum sermos afortunados por algum contratempo ou alguém que nos queira prejudicar. Vez ou outra, não suportando o tamanho da injúria, o bom senso acaba ficando de lado. E, se necessário, aprontamos um belo “arranca rabo”.

Todo mundo sabe que o tal "arranca rabo" é sinônimo de escândalo, briga e confusão. Entretanto, tão irracional quanto um acesso de fúria, a expressão em si não parece ter uma ligação lógica com os ataques de nervos ou rixas do cotidiano. Sendo esse mais um mistério de nossa peculiar língua, temos que voltar a tempos muito remotos para enfim descobrirmos quando o arranca-rabo começou.

Como em outros casos, essa expressão idiomática foi trazida pelos colonizadores que aportaram em terras brasileiras. Entretanto, os nossos irmãos lusitanos herdaram o termo por conta de uma antiga tradição criada pela civilização egípcia. Durante suas conquistas militares, os guerreiros egípcios tinham o costume de arrancar a cauda dos cavalos inimigos. Por meio desse gesto, eram prestigiados ao atestar o número de oponentes que venceram no campo de batalha.

No decorrer dos séculos, esse hábito se transformou em uma espécie de tradição militar presente em diferentes culturas da Europa, incluindo a lusitana. No Brasil, o costume de arrancar o rabo foi registrado entre os cangaceiros nordestinos. Toda vez que invadiam a propriedade de um fazendeiro, essas peculiares figuras da República Velha arrancavam o rabo de alguns animais da propriedade. Nesse caso, a ação funcionava como um tipo de humilhação pública simbolizada pelas reses que perderam a cauda.


Arroz de festa


Mais do que simples celebrações, as festas delineiam um nicho de manifestações sociais em que um grande número de pessoas se encontra para estabelecer contatos, alcançar status ou se inserir em círculos sociais restritos. Vez ou outra, as revistas de fofoca noticiam e acompanham uma série de festividades que são consideradas “imperdíveis” para quem deseja se expor publicamente ou galgar alguma espécie de prestígio.

Folheando esse tipo de publicação, sempre encontramos – por repetidas vezes – um corriqueiro grupo de atores, modelos, milionários e celebridades instantâneas que não faltam em nenhuma dessas ocasiões. Em determinadas casos, chegamos a ter a estranha impressão de que “fulano” e “beltrana” vivem em função da próxima festinha onde poderão tirar fotos, expor roupas luxuosas e desfrutar outros pequenos prazeres. A esses temos o costume de delegar o indigesto título de “arroz de festa”.

Contudo, será que alguém já parou para pensar sobre o significado dessa estranha expressão? Afinal de contas, o que tem a ver uma pessoa frequentar muitos eventos sociais e ser comparada a um alimento de natureza vulgar? Se essas mesmas questões atordoam a você, é necessário recuar historicamente até a terrinha de nossos colonizadores para descobrirmos a origem do famigerado “arroz de festa”.

Em Portugal, o termo “arroz de festa” serve também para designar uma famosa sobremesa que temos o costume de chamar de “arroz doce”. Elaborada e trazida pelos árabes, essa iguaria composta por ovos, açúcar, arroz, leite e essência de flor de laranjeira, acabou tendo enorme receptividade nas festividades promovidas pelas famílias mais ricas de Portugal.

Com o passar do tempo, o arroz de festa se tronou um quitute obrigatório em qualquer evento que se prezasse. Mediante a sua recorrência, acabou também determinando a fama de quem não perde nenhuma festinha que seja!


De araque


A mentira é algo que permeia o nosso cotidiano de uma forma impressionante. Apesar de ser condenada como pecado e figurar grandes casos de corrupção, a mentira, por menor que seja, acaba sendo quase inevitável. No dia a dia, o hábito acaba tendo tamanha relevância, que pode ser vista nas várias expressões que denunciam a consumação do ato. Entre outros tantos, o termo “de araque” aparece sempre junto a algo que parece ser uma coisa, mas não é.

Para explicar a origem dessa expressão tão cotidiana, temos que primeiramente derrubar um antigo mito ligado à bebedeira. Nos vários botequins e festas, é comum ouvirmos que, sempre quando a bebida alcoólica é ingerida, o seu consumidor acaba deixando escapar algumas verdades escondidas. Esse parece não ser o caso do “arak”, uma bebida destilada árabe, fabricada a partir da seiva da palmeira ou do arroz e dotada de um altíssimo teor alcoólico.

Trazida ao Brasil pelos imigrantes árabes de origem não muçulmana, essa bebida logo foi conhecida pelo seu potencial em causar uma grande sensação de embriaguez. Como todos sabem, o bebum, além de deixar escapar muitas verdades, também confessa o seu estado tétrico quando começa a falar uma série de histórias “de araque”. E foi dessa forma que, a partir do aportuguesamento do termo “arak”, que a expressão aqui explicada, saiu dos copos para incorporar-se à linguagem usual.

Ao verificar a inesperada origem árabe do termo “de araque”, comprovamos a existência do grande mosaico que figura a cultura brasileira. Além de negros, índios e brancos, temos uma outra leva de civilizações que trouxeram consigo hábitos que determinam a construção dos nossos costumes. Sendo assim, temos mais uma lição para os pensadores “de araque” que negam ou criticam a multiplicidade que constrói a identidade do povo brasileiro.


Resumo da ópera


Nos dias atuais, as pessoas estão cada vez mais interessadas em receber informações no menor espaço de tempo possível. Essa demanda acabou não só influenciando no aprimoramento dos meios de comunicação, mas também acabou moldando as qualidades dos textos que repassam conhecimento. Ao invés de longos e intermináveis tratados sobre um assunto, as pessoas optam por textos curtos e objetivos.

Dessa forma, poderíamos dizer que o leitor contemporâneo tem dado expressa preferência àquilo que costumamos chamar de o “resumo da ópera”. Para alguns, essa expressão poderia ser uma chacota com as longas horas que marcam esse tipo de apresentação de música clássica. Entretanto, o emprego dessa expressão idiomática já existia antes mesmo que a música clássica, no século XVI, experimentasse seus primeiros flertes com os elementos teatrais.

Do ponto de vista histórico, a expressão “ópera” tem origem italiana e servia para nomear qualquer tipo de obra arquitetônica, literária ou musical. No caso dos livros, os italianos estipularam o costume de editar algumas encadernações onde aglomeravam o chamado “sommario dell’opera” (resumo da obra) de várias publicações que haviam sido feitas ao longo de um determinado período.

No século XVII, a popularização do teatro lírico foi lentamente transformando a palavra ópera em sinônimo desse tipo de manifestação artística. De fato, como as óperas incorporavam uma narrativa extensa e nem sempre conhecida por todos os seus apreciadores, os organizadores do espetáculo passaram a fabricar pequenos livretos com o tal “resumo da ópera”.

Daí em diante, esse tipo de entretenimento e a própria expressão foram ganhando terreno em vários pontos do Velho Mundo. Sendo a língua dotada de grande dinamicidade, a expressão acabou sendo utilizada para fazer referência ao resumo de qualquer assunto ou material. No caso do Brasil, assim como em outras diversas situações, o “resumo da ópera” foi provavelmente trazido pelos nossos colonizadores portugueses.


Conto do Vigário


O conto do vigário aconteceu no século XVIII na cidade de Ouro Preto entre duas paróquias: a de Pilar e a da Conceição que queriam a mesma imagem de Nossa Senhora.

Um dos vigários propôs que amarrassem a santa no burro ali presente e o colocasse entre as duas igrejas. A igreja que o burro tomasse direção ficaria com a santa. Acontece que, o burro era do vigário da igreja de Pilar e o burro se direcionou para lá deixando o vigário vigarista com a imagem.

Outro fato interessante aconteceu no século XIX em Portugal quando alguns malandros chegavam à cidades desconhecidas e se apresentavam como emissários do vigário. Diziam que tinham uma grande quantia de dinheiro numa mala que estava bem pesada e que precisaria guardá-la para continuar viajando.
Diziam que como garantia era necessário que lhes dessem alguma quantia em dinheiro para viajarem tranqüilos e assim conseguiam tirar dinheiro dos portugueses facilmente.

Dessa forma, até hoje somos vítimas dos contos dos vigários que andam por aí, por isso a dica é, tomar muito cuidado com ajudas e ganhos, para que não caia num Conto do Vigário.


Cair nos braços de Morfeu


Apesar dos milênios que nos separam dos gregos, podemos ver que o legado dessa antiga civilização ainda tem uma influência significativa em diversos aspectos de nossa vida cotidiana. As noções estéticas, a ideia de democracia, os princípios da filosofia são apenas alguns dos casos em que vemos de que modo os gregos deixaram sua marca entre as culturas ocidentais. Na verdade, caso haja um pouco mais de interesse, podemos descobrir que a cultura grega também adentra aspectos bem mais simples do nosso dia a dia.

De fato, as propriedades revigorantes do sono conhecidas por todas as pessoas e a falta do mesmo pode gerar uma série de problemas de saúde. Vários estudiosos ainda investigam de que modo essa atividade que ocupa praticamente um terço de nossas vidas interfere no funcionamento de nosso organismo. Em nosso cotidiano, é comum muitas pessoas celebrarem uma noite bem dormida dizendo que “caiu nos braços de Morfeu”. Mas afinal, de onde veio essa expressão?

Segundo a mitologia grega, Morfeu era um deus filho de Hipnos, o deus do sono. Assim como o seu pai, ele dispunha de grandes asas que o fazia vagar silenciosamente pelos mais distantes lugares do planeta Terra. Ao aproveitar do repouso dos homens, Morfeu assumia formas humanas e ocupava os sonhos de quem quisesse. Desse modo, os gregos acreditavam que uma noite bem dormida e seus vários efeitos positivos só seriam explicados pela presença dessa divindade em seus sonhos.

Foi justamente por meio dessa expressão e da história de Morfeu que um dos mais potentes analgésicos existentes, a morfina, ganhou esse nome. No fim das contas, mesmo que a mitologia não tenha embasamento científico, sabemos que uma noite de bom descanso é simplesmente divino.


Dar com os burros n’água


Na hora que acontece um infortúnio, palavras e expressões que manifestam o nosso desalento surgem sem maiores dificuldades. Contudo, por que alguns desafortunados costumam dizer que “deram com os burros n’água”? Para responder a esse mistério do nosso vernáculo, basta investigar o tempo em que as mulas e os burros se transformaram no principal meio de transporte do Brasil.

No século XVIII, o desenvolvimento da economia aurífera foi responsável pelo aparecimento de vários centros urbanos no interior da colônia. Nessa época, a corrida pelo ouro acabou deixando em segundo plano o desenvolvimento dos meios e recursos que poderiam atender as demandas de cada uma dessas cidades. Dessa forma, as localidades com economia mais diversificada acabaram fornecendo muitos dos víveres necessários à sobrevivência dos habitantes de tais localidades.

Para atravessar o sertão brasileiro com essas mercadorias, os tropeiros utilizaram o lombo de burros e mulas que resistiam a longos períodos de caminhada pelas matas. Apesar de bastante lucrativa, essa atividade era repleta de desafios que transformavam o tropeirismo em uma aventura incerta e tomada por alguns riscos. Em algumas dessas situações, os pobres animais de carga eram obrigados a atravessar terrenos alagados e muitos acabavam morrendo afogados.

Além de perder o útil animal, muitas vezes obtido junto a contrabandistas da região sul, os viajantes poderiam perder as mercadorias que lhe dariam um considerável retorno financeiro. Com isso, na medida em que a expressão foi aumentando, toda vez que alguém levava a pior, o incidente com os burros (ou mulas!) acabava simbolizando a falta de sorte do infeliz.


Segurar Vela


Atualmente, podemos notar que muitas pessoas enfrentam sérias dificuldades para encontrar algum parceiro ou namorada. Costumeiramente, alegam que ninguém está disposto a sustentar uma relação séria em que a cumplicidade ou a possibilidade do matrimônio estejam em vista. Nesse verdadeiro desencontro entre tantos solteiros, alguns acabam não só sentido o peso da solidão, bem como repudiam a proximidade com os sortudos que encontraram uma possível cara-metade.

Não é difícil ouvir um solteiro se recusando a sair com um casal alegando que não está nenhum pouco a fim de “segurar vela”. Deixando de lado seu uso tão corriqueiro, temos uma séria dificuldade em reconhecer uma relação lógica entre esse tipo de situação e a expressão empregada. De fato, para que esse “mistério da língua” seja definitivamente esclarecido, precisamos remontar os vários lugares e usos que a bendita vela teve ao longo da História.

Por muito tempo, a inexistência de lanternas ou lâmpadas de longa duração dificultava bastante a realização de qualquer ofício em locais mal iluminados. Dessa forma, as velas se transformavam no único recurso suficientemente capaz de resolver a busca por claridade. No período medieval, as velas costumavam ser seguradas pelos aprendizes das corporações de ofício. Enquanto auxiliavam na iluminação do lugar, acompanhavam as etapas que envolviam a execução de uma tarefa ou a aplicação de alguma técnica.

De simples necessidade, segurar velas acabou se transformando em uma atividade profissional de menor importância. Em alguns teatros e estabelecimentos noturnos, era comum observar a presença de garotos que eram pagos para manter as velas destes locais acesas. Entre os franceses, essa expressão estava relacionada com o curioso hábito dos nobres e burgueses de elegerem um criado para ficarem de costas, segurando uma vela ou candelabro, enquanto os patrões tinham suas relações sexuais.

Todo o infortúnio que se relacionou à tarefa de segurar vela acabou fazendo com que a expressão fosse originalmente usada para se remeter a qualquer tipo de subordinação humilhante. Com o passar do tempo, quem passou a “segurar a vela” foram as amantes dos secretos triângulos amorosos. Dessa forma, faz pouco tempo que as “velas” passaram a ser “seguradas” todas as vezes que um pobre solteiro é obrigado a acompanhar um casal enamorado.


Aniversário


A tradição de sempre festejar a data em que uma pessoa completa mais um ano de vida não é totalmente seguida no mundo. No Vietnã, por exemplo, tal comemoração não se dá na data específica do nascimento, mas na passagem do ano novo, de forma coletiva.

As festas de aniversário surgiram no Ocidente. Desde a Antiguidade, os romanos já comemoravam o dia do nascimento de uma pessoa, conhecido como "dies sollemnis natalis". Os tradicionais bolos de aniversário surgiram na civilização grega, quando os adoradores da deusa da fertilidade, Ártemis, passaram a oferecer em seu templo um preparado de mel e pão, no formato de uma lua.

As velas colocadas em cima do bolo também surgiram na época dos deuses antigos, pois as pessoas acreditavam que a fumaça das velas levava as preces dos fiéis até o céu, além de proteger o aniversariante de espíritos ruins e garantir sua proteção para o ano vindouro.


Origem da Chapinha


O que anda fazendo a cabeça da mulherada é a moda dos cabelos lisos, mas para conseguir esse feito precisam aderir ao uso da chapinha, também conhecida como “piastra”.

Engana-se quem pensa que essa moda é atual, essa mania existe há tempos.
Antigamente, para conseguir o efeito liso, as mulheres pegavam a cabeleira crespa e passavam banha de porco, sebo e óleo de peixe. Já no século 18, a tática era outra, lavava-se os cabelos com éter e ácido sulfúrico diluído em água. Com o passar do tempo as técnicas foram evoluindo, tanto que, no século 19, as melenas eram domadas com a ação do calor, com toalhas molhadas em água fervente e barras de ferro aquecidas em carvão. Já no século 20 descobriu-se que a temperatura de 100ºC faz com que o hidrogênio presente nos fios de cabelo evapore, deixando-os com o aspecto liso. A partir desse princípio diversas invenções foram surgindo, uma mais inusitada e com maior precisão do que a outra.

O protótipo da atual chapinha foi criado pelo engenheiro norte-americano Isaak K. Shero, chamando sua criação de flat iron. Mas a moda de alisar os cabelos com esse tipo de equipamento só fez a cabeça da mulherada após 20 anos, em Paris, com o primeiro modelador de cabelos. Segundo alguns pesquisadores, esse aparelho tinha a aparência de uma pinça gigante e era aquecido no fogareiro, as mulheres testavam a temperatura até alcançar uma que proporcionasse o efeito liso.

As chapinhas elétricas surgiram na década de 80, e essa invenção logo virou febre entre as mulheres que possuíam certo poder aquisitivo. Atualmente, a conhecida chapinha tornou-se acessível a todas as classes sociais, tendo preços e qualidades diferentes, as mais cobiçadas são as de cerâmica e de infravermelho, pois proporcionam um efeito mais duradouro e mais natural. O efeito da chapinha é totalmente reversível, basta expor o cabelo à umidade que ele volta ao natural. Deve-se tomar algumas precauções quanto ao uso de chapinhas, pois a utilização excessiva desse recurso prejudica os cabelos, enfraquecendo-os.


Culpa no Cartório


“Culpa no cartório” ou “ter culpa no cartório” é uma expressão cotidiana para dizer que alguém deve algo ou cometeu algum tipo de infração. Contudo, se levarmos ao pé da letra, perceberemos que este recurso da língua não tem nada a ver com as atuais funções de um cartório. Quando somos julgados por alguma infração, somos geralmente convocados a aparecer em um tribunal ou delegacia para que se faça o registro do crime em questão.

Dessa forma, vem a pergunta: “de onde surgiu a tal culpa no cartório?”. Para respondermos a esse questionamento, precisamos antes nos deslocar para a Europa da Baixa Idade Média. Nesse período, lá pelos idos do século XIII, a Igreja tinha uma visível preocupação em combater os movimentos heréticos que contrariavam as verdades eternas pregadas por seus clérigos.

Foi nesse momento em que os dirigentes da Santa Sé decidiram criar o chamado Tribunal da Santa Inquisição. Este órgão tinha como função essencial vigiar e punir qualquer tipo de ação que pudesse ser vista como um crime contra a doutrina católica. Os acusados sofriam um processo judicial que poderia converter em um variado leque de penalidades que iam da penitência até a morte na fogueira. Desse modo, várias pessoas tiveram suas crenças tolhidas pelo terror implantado pela Igreja.

Para controlar o histórico dos envolvidos em uma investigação, a Igreja mantinha um cartório onde registrava e mantinha cada um dos processos judiciais conduzidos por ela. Dessa forma, a pessoa acabava tendo seu nome manchado ao ter em algum momento se envolvido com a investigação clerical. Na Espanha, a incômoda situação levava muitos a caçoarem de um ex-condenado dizendo que ele tinha “culpa en el notario”. Foi daí que a tal “culpa no cartório” se transformou em expressão comum nos países ibéricos.


Qual a diferença entre mp3, mp4, mp5, mp6, mp7, mp8, mp9, mp10…?

Em 2007

MP3: MP3 é o formato de compressão de áudio que causou uma verdadeira revolução. Arquivos de áudio podem ser convertidos em MP3, com poucas perdas de qualidade (as pessoas “comuns” como eu não conseguem perceber a diferença), ocupando apenas cerca de 10% do espaço de armazenamento necessário para o formato digital do CD de áudio.

O que comumente se chama de “MP3″, ou “tocador de MP3″ são aqueles pen-drives que tocam música e sintonizam rádio FM.

MP4: o MPEG4 é um padrão de compressão de vídeo, que causou na indústria a mesma revolução que o MP3. Graças ao MPEG4 um filme de uma hora e meia de duração, que no formato de DVD ocuparia quase 5GB de espaço, pode ser colocado em um mero CD de 700MB, com pouca perda de qualidade de imagem. A trilha sonora, em MP3, nem chega a ser relevante em termos de tamanho de arquivo, neste caso.

O “MP4″ da indústria é a versão do “MP3″ acima com uma telinha de LCD, capaz de reproduzir vídeos.

MP5: agora começamos a entrar na área do que considero o absurdo da indústria de cacarecos. Considerando que MP é a abreviatura de MPEG, Moving Picture Expert Group, não caberia ninguém exceto o próprio MPEG criar novos padrões e nomenclaturas. Contudo, já criaram por aí o “MP5″, que nada mais é do que o mesmo MP4 acima descrito, mas com câmera digital integrada, capaz de tirar fotos e em alguns casos também filmar.

MP6: se falar em MP5 para referir-se a um tocador de vídeos MPEG4 com câmera digital e rádio FM já me parece absurdo, falar em MP6 então é o cúmulo. Tem agendas de telefones e de compromissos, acessa Internet, roda programas e jogos em Java, envia e recebe e-mails.

MP7: deve ter as mesmas funções do mp6 e ainda recebe sinais de TV e grava programas da Sky!

MP8: logo o MP8 deve vir com escova de dentes, monitor cardíaco e cafeteira, pesando menos de 100g.

fonte: http://www.burlar.org


Em 2010

Não se preocupe. Se não sabe a diferença entre esse monte de MPs que estão sendo vendidos em camelôs e lojas Xing Lings, você é normal. Essa classificação começou a ser utilizada de maneira indiscriminada e não tem mais muita ligação com a sua verdadeira origem.

Tudo começou com o formato de música MPEG-1 Audio Layer 3, mais conhecido como MP3. Com eles, surgiram aparelhos para executar arquivos desse formato, os MP3 Players. O problema é que os tocadores também começaram a ser chamados carinhosamente de MP3. Aqui, já começou a junção do nome do formato com o do aparelho e também a confusão na cabeça do povo.

Depois, vieram os vídeos com a extensão mp4. Como passaram a ser chamados os aparelhos que executavam esses arquivos? MP4 também. O pior é que quase nenhum desses ditos “tocadores de MP4” suporta executar vídeos. mp4. Mas as pessoas passaram a achar que os aparelhos com uma função a mais tinham um MP maior. Acharam tanto que a coisa acabou virando verdade.

O pior é que por mais que você tente falar para alguém que esse lance de MP é invenção, ninguém acredita. Então, se não pode vencê-los, junte-se a eles. Abaixo está a lista com o que faz cada MP acrescenta ao aparelho.

* MP3 – Música
* MP4 – Vídeo
* MP5 – Câmera
* MP6 – Celular
* MP7 – Rádio
* MP8 – Jogos
* MP9 – TV
* MP10 – Dual-SIM
* MP11 – Tela de Toque
* MP12 – Bluetooth
* MP13 – Wi-Fi
* MP14 – GPS
* MP15 – Faz café (especulação)
* MP16 – Leva o cachorro para passear (especulação)

Mas, hoje em dia, essa ordem nem sempre é seguida ao pé da letra. Após o MP10, tudo virou o samba do chinês louco e ninguém é de ninguém.

fonte: http://www.numclique.net




Expressões Populares - De onde sai isso?


Spam
 
A utilização do termo “spam” para designar mensagem não solicitada decorre de um spot humorístico do grupo inglês Monty Python, que mostrava em um restaurante uma garçonete tentanto fazer, a todo custo, uma cliente comprar uma refeição a base de “spam”. O produto “spam”, deriva do nome de um produto da empresa Hormel Foods a base de carne suína enlatada - Hormel Spice Ham. Um concurso feito pela empresa o rebatizou de “Spam”, este alimento, muito barato, foi muito consumido pelos aposentados norte-americanos nas épocas de recessão, o que justifica, de outra parte, a ojeriza de muitos consumidores a este produto.

Tirar o Cavalo da Chuva
 
- Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
 No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e, se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

Santo do Pau Oco
 
Durante o século XVII, as esculturas de santos que vinham de Portugal eram feitas de madeira. A expressão surgiu porque muitas delas chegavam ao Brasil recheadas de dinheiro falso. No ciclo do ouro, os contrabandistas costumavam enganar a fiscalização recheando os santos ocos com ouro em pó. No auge da mineração, os impostos cobrados pelo rei de Portugal eram muito elevados. Para escapar do tributo, os donos de minas e os grandes senhores de terras da colônia colocavam parte de suas riquezas no interior de imagens ocas de santos. Algumas, normalmente as maiores, eram enviadas a parentes de outras províncias e até de Portugal como se fossem presentes.

Rasgar Seda
 
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".

Quem não tem cão, caça com gato
 
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia "quem não tem cão caça como gato", ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

Queimar as pestanas
 
Expressão ligada aos estudantes, querendo significar aqueles que estudavam muito. Antes do aparecimento da electricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar azo a "queimar as pestanas".

Pôr a mesa
 
Durante a Idade Média, as grandes casas e os palácios não tinham uma sala de jantar porque a tradição era a de que os senhores comiam onde estavam. Na hora da refeição, o pessoal que trabalhava nas cozinhas colocava cavaletes com estrados por cima, ao que se chamavam mesas. Não havia talheres, a não ser a faca que cada um trazia sempre consigo. Comia-se quase tudo à mão. Para chamar os senhores para a refeição, os criados diziam aos seus amos que "...as mesas estão postas."

Pensando na Morte da Bezerra
 
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebráicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

Para inglês ver
 
Em 1830, pressionado pela Inglaterra, o Brasil começou a aprovar leis contra o tráfico de escravos. Mas todos sabiam que elas não seriam cumpridas. Falava-se, então, que as leis eram apenas para inglês ver.

Pagar o pato
 
A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca. Significa fazer o papel de tolo, pagando por aquilo que não deve.

Onde Judas Perdeu as Botas
 
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca alguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

OK
 
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, nos EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação. Daí surgiu o termo "OK".

O Pior Cego é o que não Quer Ver
 
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

No tempo do Onça
 
No início do Século 18, o Rio de Janeiro era governado por Luiz Vahia Monteiro, conhecido como “o Onça”. Ele tinha este apelido por ser extremamente severo e exigente. Durante o período em que governou o Rio, ele cumpria rigorosamente a lei e exigia que todos a cumprissem também. Os saudosos do governador Vahia Monteiro, ao assistirem o desleixo com que a cidade era administrada, viviam suspirando pelos cantos e dizendo: “Ah, no tempo do Onça que era bom!”. Por conta disto, a expressão “no tempo do Onça” passou a significar coisa antiga, algo de tempos passados.

Não Entendo Patavinas
 
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

Motorista Barbeiro
 
- Nossa, que cara mais barbeiro!
No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba mas, também, tiravam dentes, cortavam calos, etc... E por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XX, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

Lua-de-mel
 
Há mais de 4 mil anos, os habitantes da Babilônia comemoravam a lua-de-mel durante o primeiro mês de casamento. Nesse período, o pai da noiva precisava fornecer ao genro uma bebida alcoólica feita da fermentação do mel. Como eles contavam a passagem do tempo por meio de um calendário lunar, as comemorações ficaram conhecidas como lua-de-mel.

Lágrimas de crocodilo
 
Os animais que vivem em água salgada, como focas e crocodilos, ajudam a eliminar o excesso de sal do corpo vertendo água salgada pelos olhos, pressionando o céu da boca com a língua. Ele chora enquanto devora suas vítimas.

Jurar de Pés Juntos
 
- Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.
 A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

Guardar a Sete Chaves
 
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí, começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" para designar algo muito bem guardado.

Gatos-pingados
 
Tem sentido depreciativo usando-se para referir uma suposta inferioridade (numérica ou institucional), insignificância ou irrelevância. Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo a ferver em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão "gatos pingados" passou a denominar pequena assistência sem entusiasmos ou curiosidade para qualquer evento.

Ficar a Ver Navios
 
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

Fazer nas Coxas
 
A origem vem da época dos escravos, que usavam as próprias coxas para moldar o barro usado na fabricação das telhas. Como as medidas eram diferentes, as telhas saíam também em formatos desiguais. E o telhado, “feito nas coxas”, acabava torto.

Farinha do mesmo saco
 
"Homines sunt ejusdem farinae" esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Espírito de Porco
 
Nos tempos colonias os escravos faziam todo tipo de trabalho, do mais leve ao mais pesado. Um, em especial, causava terror: negavam-se a abater porcos. Achavam que os espíritos suínos lhes atormentariam à noite. A expressão passou a designar quem incomoda, atrapalha, é inconveniente.

Eles que são Brancos que se Entendam
 
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de Dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, Dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, Dom Luís se explicou: nós somos brancos, cá nos entendemos.

Dor de Cotovelo
 
A expressão teve origem nas cenas de pessoas sentadas em bares, com os cotovelos apoiados no balcão bebendo e chorando um amor perdido. De tanto ficar naquela posição, as pessoas ficavam com dores no cotovelo. Atualmente, é muito comum utilizar essa expressão para designar o despeito provocado pelo ciúme ou a tristeza causada por uma decepção amorosa.

Disputar a negra
 
Os senhores do séc. XVIII, quando jogavam, o troféu era, quase sempre, uma negra escrava. O termo é usado até hoje em "peladas" e "rachas" de futebol.

Dar com os Burros N'Água
 
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

Chegar de Mãos Abanando
 
Há muito tempo, aqui no Brasil, era comum exigir que os imigrantes que chegassem para trabalhar nas terras trouxessem suas próprias ferramentas. Caso viessem de mãos vazias, era sinal de que não estavam dispostos ao trabalho. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.

Casa da Mãe Joana
 
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a minoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase "casa da mãe Joana" ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

Carioca
 
O termo carioca é oriundo da família lingüística tupi-guarani (kari ' oca) e significa etimologicamente "casa de branco": cari: branca; oca: casa. O termo carioca é também o gentílico dos habitantes ou naturais do município do Rio de Janeiro.

Calcanhar de Aquiles
 
De acordo com a mitologia grega, Tétis, mãe de Aquiles, a fim de tornar seu Filho indestrutível, mergulhou-o num lago mágico, segurando-o pelo calcanhar. Na Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido na única parte de seu corpo que não tinha proteção: o calcanhar. Portanto, o ponto fraco de uma pessoa é conhecido como calcanhar de Aquiles.

Caiu no conto do vigário
 
Uma imagem de Nossa Senhora dos Passos foi doada pelos espanhóis para Ouro Preto e começou a ser disputada pelos padres de duas igrejas: a de N. Sra. de Pilar e a de N. Sra. da Conceição. O padre de Pilar sugeriu, então, que a imagem fosse colocada em cima de um burro, no meio do caminho entre as duas igrejas. O rumo que o animal tomasse, decidiria quem ficaria com a imagem. Quando foi solto, o burro se dirigiu para a igreja de Pilar. Mais tarde, soube-se que ele pertencia ao padre de lá; logicamente sabia o caminho a seguir.

Bode expiatório
 
A expressão significa que alguém recebeu a culpa de algo cometido por outra pessoa. A origem está num rito da tradição judaica. Simbolicamente, o povo depositava todos os seus pecados num bode, que era levado até o deserto e abandonado. Dessa forma, acreditava-se que as pessoas estariam livres de todos os males que tinham feito.

Baderna
 
Uma bailarina de nome Marietta Baderna fazia muito sucesso no Teatro Alla Scalla, de Milão. Ao apresentar-se no Brasil, em 1851, causou frisson entre seus fãs, logo apelidados de “os badernas”. O sobrenome da artista, de comportamento liberal demais para os padrões da época, deu origem ao termo que significa confusão, bagunça.

Amor Platônico
 
Platão era aluno de Sócrates. Tentando entender o motivo pelo qual seu grande mestre havia se matado, ele propõe a existência de dois mundos: Um chamado mundo sensível, aquele que você percebe com os cinco sentidos, e outro chamado mundo inteligível, que você só pode perceber com a inteligência, a mente. O mundo sensível é apenas um reflexo do que há de bom no mundo inteligível. O amor perfeito só existe na mente das pessoas, mas o amor real (que se toca, se vive) pode ter falhas. Por isso, quem não vive o amor real, fica só na imaginação, vive um Amor Platônico.

Aliança de casamento na mão esquerda
 
Os gregos acreditavam que o 3º dedo da mão esquerda possuía uma veia que se ligava diretamente ao coração.

Água Mole em Pedra Dura, Tanto Bate até que Fura
 
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.

Afogar o ganso
 
No passado, os chineses costumavam satisfazer as suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima.

Acordo leonino
 
Significado: Um "acordo leonino" é aquele em que um dos contratantes aceita condições desvantajosas em relação a outro contratante que fica em grande vantagem. Uma expressão retórica sugerida nomeadamente pelas fábulas em que o leão se revela como todo-poderoso.

Abraço de tamanduá
 
O tamanduá, quando percebe algum perigo, se deita de barriga para cima e abre seus braços. O inimigo, ao se aproximar, é surpreendido por um forte abraço, que o esmaga. Daí, ser o”abraço de tamanduá” qualquer atitude falsa, deslealdade, traição.

A dar com pau
 
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, para isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu para o estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

Vá se queixar ao bispo
 
No Brasil do séc. XVII, ter filhos era muito importante. Precisando mostrar ao homem que era fértil, a mulher engravidava antes do casamento. A regra era aprovada pela própria Igreja desde que depois o casamento se consumasse. Muitas vezes, o noivo ia embora e a mulher grávida ia reclamar ao bispo, que mandava alguém atrás do fujão.

Vai Tomar Banho
 
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

Vestir a carapuça
 
Carapuça é uma espécie de barrete ou capuz de forma cônica e remonta ao período da Inquisição, em que os condenados eram obrigados a vestir trajes ridículos ao comparecer aos julgamentos. Além de usar uma túnica com o formato de um poncho, eles precisavam colocar sobre a cabeça um chapéu longo e ponteagudo, conhecido como carapuça. Daí a expressão "vestir a carapuça" ter se incorporado ao português escrito e falado com o sentido de "assumir a culpa".

Voto de Minerva
 
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

Maria vai com as outras

A expressão teve origem em Portugal. Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via sua rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar; “Lá vai D. Maria com as outras”.

Sair à Francesa

Na França, no século 18, quem, pretendendo abandonar uma sala repleta de gente, fosse despedir-se dos convivas cometia um ato importuno, ao incomodar pessoas embrenhadas em conversas, passatempos, jogos ou amores agradáveis. Daí que se “saísse à francesa”, isto é, sem cerimônia, sem aviso prévio, sem dar conhecimento a ninguém. O costume generalizou-se por toda à parte, até que, mais tarde, veio a adquirir um sentido oposto, ou seja, de descortesia e falta de educação “.

Entrar com o pé direito

- Quero entrar no ano novo com pé direito!
A tradição de dar sorte ao entrar em algum lugar com o pé direito é de origem romana. Nas grandes celebrações romanas, os donos das festas acreditavam que entrando com o esse pé, evitariam agouros na ocasião da festa. A palavra “esquerda” significa do latim, sinistro, daí já fica óbvia a crença do lado obscuro dos inocentes pés esquerdos. A partir daí, a tradição se espalho pelo mundo inteiro.

Fazer Vaquinha

- Vamos fazer uma vaquinha pro churrasco!
A expressão “fazer vaquinha” surgiu na década de 20 e tem sua relação de origem com o jogo do bicho e o futebol. Nas décadas de 20 e 30, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do time se reunia e arrecadava entre si, um prêmio para ser dado aos jogadores. Esses prêmios eram relacionados popularmente com o jogo do bicho. Assim, quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bolada de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.

Cuspido e escarrado

Quando falamos que fulano é o pai cuspido e escarrado, queremos dizer que o sujeito em questão é muito parecido com o genitor. E foi também por ser parecida com sua expressão original que o termo “cuspido e escarrado” surgiu. Ele é, na verdade, resultado de alguns mal-entendidos.
No Brasil colonial, os barões do café contratavam artistas para esculpirem seus bustos, num sinal de pompa. Para retratar fielmente o barão, era exigido que sua imagem fosse esculpida em mármore de carrara, famosa pedra italiana conhecida por ser o mármore mais duro que existe. A estátua, que ficava realmente muito parecida com o ilustre modelo, deu origem à expressão “esculpida em carrara”. Acontece que, da cozinha, os criados acabaram distorcendo-a para “cuspido e escarrado”. A nova – e bem mais nojenta – versão acabou pegando.





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Julho/2010

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